Rachel Sheherazade voltará... mas será que o que ela fala faz algum sentido?

A volta de Sheherazade e suas opiniões toscasA jornalista mais polêmica do momento carrega em suas costas a admiração de milhares de fãs, assim, como o desprezo de milhares de críticos. Rachel Sheherazade, afastada do cargo por um tempo, agora voltou para expressar novamente sua opinião, e ninguém pode impedir, mas, será que os gritos aos trancos e barrancos fazem sentido?










A ética jornalística vs Rachel Sheherazade


Em uma análise superficial, chegamos ao resultado de que todas as afirmações realizadas por Sheherazade são verdadeiras, afinal de contas, o Brasil sofre por praticamente todos os problemas que ela aponta, desde a corrupção até a má educação, e todos nós sabemos que não são acontecimentos tão apartados assim. Mas, até onde gritar a "verdade absoluta" e a "imparcialidade absoluta" podem ser tomados como reais, verdadeiros, e indiscutíveis?


A imparcialidade e as polêmicas jornalísticas.



A jornalista é vista como um verdadeiros milagre da rede de televisão brasileira, afinal de contas, ela fala a verdade, não tem medo de ninguém, e é imparcial .... imparcial?

Quantas vezes ao recontar uma história onde você errou, mesmo conseguindo não mentir, você sentiu medo, receio, ou aquele frio que alterna entre a barriga e a espinha e que te suga para a mentira para evitar as consequências do seu ato? Mesmo sem mentir, mesmo resistindo a este instinto de defesa a favor da razão, a sua maior tendência é se proteger, e isto se aplica também aos seus pontos de vista. Eles, suas opiniões formadas, são protegidos, assim como os seus interesses, não concorda? Analisemos a fundo.

A utopia de um jornalismo sem precedentes altamente imparcial e com pouca discussão é ineficiente. O efeito de pontos de vista começa logo a desfazer a utopia de imparcialidade. Eu, por exemplo, não sou imparcial e nem pretendo ser. Muito provavelmente, se você procurava mais embasamento para suas críticas (ou elogios) e caiu nesta página, já deve ter percebido. Na realidade, boa parte daqueles que procuravam elogios desistiram assim que observaram o título ácido. Eu estou aqui sim, defendendo minhas ideias assim como ela defende as dela, apesar disto, procuro realizar tal feito, valendo-me de argumentos e pesquisas profundas, e não gritando com voz rude e de "verdade absoluta".

A imparcialidade jornalística já foi discutida por vários especialistas, o resultado, é o de que ela realmente, não é mais que sonho, ou utopia, um objetivo que muito provavelmente não será tingido. E Rachel não é imparcial, pois não é exceção à regra, ela ganha um salário muito bom, trabalha para uma empresa que a paga e que a trata muito bem, para um jornal de credibilidade até legal no Brasil. Ela precisa manter isto, pois assim como nós, ela precisa ganhar o seu salário no fim do mês. Não que isto justifique a maneira como ela anda fazendo as cosias acontecerem. Pelo contrário, mesmo que a opinião jornalística faça sentido (ou não) ela não pode ser tomada como verdade absoluta.



A ética e o grito.

A ética profissional para os jornalistas é uma das mais completas e belas de se ler, e isto é admirável, naturalmente, quando esta é seguida. Os códigos éticos da profissão, você encontra para download no link abaixo, toda a discussão deste tópico se baseia neste documento.

                                  Download:                           

Segue um resumo para aqueles que tiverem dificuldade em realizar o download por problemas de conexão ou do próprio dispositivo usado.


Art. 7º O jornalista não pode:

[...]

V - usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

[...]

Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu 
trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela 
alteração será de seu autor. 

[...]

Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:

[...]

II - de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente 
em cobertura de crimes e acidentes; 

Art. 12. O jornalista deve:

[...]

III - tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar; 

[...]

Vitória, 04 de agosto de 2007. 
Federação Nacional dos Jornalistas 

Os admiradores do trabalho da jornalista muito provavelmente discordam dos destaques dados, apesar de que em minha opinião pessoal ela de fato pisou em cima da ética. A maior polêmica relacionada as suas opiniões se deu quando ela defendeu os justiceiros que espancaram o menor e o amarraram em um poste por ter roubado uma bicicleta. Depois do comentário (infeliz) da jornalista, a vingança entrou em debate, e em destaque. E depois de ter sido criticada de todos os lados ela se "redimiu" de maneira suficientemente boa para que os seus admiradores entendam que tudo não passou de palavras erradas. Em minha opinião, não. Não foram palavras erradas. Vamos analisar isto no próximo tópico mais a fundo.

Opinião, justiça, sangue, assassinato e perdão.


Para poder discutir isto sem achismos, ao contrário da maneira como as opiniões foram apresentadas, eu prefiro realocá-las em um único bloco. Já que separadas por horas, quando ouvimos a segunda opinião (a desculpa) a primeira já não tem mais tanta presença na nossa mente. Colocando os vídeos lado-a-lado prestem atenção nas opiniões e no tom utilizado, além do escudo cristão.




"O que resta ao cidadão de bem que ainda por cima foi desarmado? Se defender é claro! O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva."

Nós ainda entendemos verdade como grito, esta é uma completa imbecilidade por parte de todos os brasileiros, o dedo na câmera, e a maneira de falar já demonstram por si só, ódio. Mas, analisemos as suas desculpas.





Para ser justo, e me manter o meu direito, o segundo vídeo é inclusive feito por DEFENSORES da jornalista. Vamos ver se ele faz sentido.

"O que eu fiz não foi defender a atitude dos justiceiros, nem precisaria estar explicando isto, minhas palavras foram muito claras"

" O que não se pode fazer é confundir o direito de se defender com a barbárie, sito nenhuma pessoa de bom senso poderia defender."

É muito fácil tirar as próprias conclusões analisando os dois vídeos lado a lado, mas, outra comparação também foi feita pelos críticos à ela. A defesa de Justin Bieber, o que rendeu a ela nome inclusive de fascista, pelo preconceito apresentado em relação ao caso do garoto de mesma idade que roubou uma bicicleta.





Onde se esconde a manipulação e a verdade.

PT, PSDB, Veja, Globo, estes são os alvos comuns dos revolucionários. E sim, eles possuem inteira razão. Mas como nestes exemplos, o perigo nunca se encontra dentro da emissora partido e etc, e estamos nos esquecendo disto. O perigo se encontra na manipulação de sua opinião. Comprar a opinião de uma pessoa, mesmo que seja a minha é perigoso. A volta da Rachel Sheherazade não é uma boa notícia. Pelo contrário, é uma incitação a irracionalidade. A raiva e ao preconceito, principalmente quando ela defende por exemplo Marco Feliciano, conhecido principalmente pela sua homofobia, mas também, pelo seu racismo. A democracia defende tudo, exceto, a sua violação pelo preconceito.

Eu não posso valer-me da democracia para destruí-la, da mesma maneira que não posso me valer da liberdade de expressão, para invadir, e destruir a própria liberdade dos outros. Feliciano pode muito bem expressar sua opinião. Gritar, espernear, mas não se valer de fiéis para entrar com todo o seu próprio preconceito na câmara dos direitos humanos. Algo como utilizar a garantia da proibição do preconceito para instalar o preconceito exatamente onde ele não deveria existir. Na câmara dos Direitos Humanos. Vejamos:




É provável que você pense em considerar esta opinião válida. Mas, analise o meu próprio comentário acima do vídeo e agora observe o vídeo a seguir.




O vídeo pode chegar  ser perturbador para muitas pessoas, estou ciente, mas não posso deixar de mostrar a enganação. Desculpem-me, mas... iludir pessoas de bem que estão desesperadas, em troca de NADA além de benefício próprio e ser considerado um santo, é algo que não concordo muito bem.

Em todos os casos, a opinião fica por sua conta. Esta é a minha, tirem suas conclusões.

Aceito comentários e críticas independentemente da rede social, todos são conferidos um a um. E com certeza a sua opinião é importante. Então, concorda?







0 comentários: