Bananas, racismo, macacos, Darwin e essa modinha toda - Será que vale?

Daniel Alvez e o #somostodosmacacos#somostodosmacacos. Se você não leu ou ouviu isso esta semana você é a pessoa mais mal informada do mundo, mas o foco está correto? Como tudo começou? E afinal de contas, onde o racismo foi parar depois da "hash"? Se também achar que pode ter algo de errado na história, por favor, continue lendo.





As redes sociais e os protestos dentro delas.

A diferença entre humanos e macacos

Depois da moda das redes sociais e de tudo mais, todos os protestos tem alguma ligação direta com esses meios de comunicação. O twitter com certeza é um dos que mais hospedam este tipo de conteúdo, mas, é exatamente aí que inicia o problema, apesar da difusão, o Twitter é uma rede social mais focada em brincadeiras, com perfis dedicados a ídolos e hashtags pouco focadas em causas sociais... até que algum protesto ou acontecimento tenha visão na mídia. Se o problema começa no uso das brincadeiras e nas tentativas falsas que ganhar seguidores, então a distorção, começa quando a causa passa a ser deixada de lado, e o que resta é exatamente, a brincadeira.
Ainda que a polêmica continue, os temas dentro da hashtags vão mudando e se distanciando do que podemos chamar de combate ao racismo, e as distorções, bem, geralmente dão origem a variações da tag, como por exemplo #somostodosbaleia, que já está entre os assuntos mais comentados de todo o twitter. O racismo? Continuou escondido.


Onde foi parar o racismo depois do #somostodosmacacos?

Racismo e macacos
Aparentemente poucos, ou ninguém percebeu, mas as piadas geradas pelas fotos tiradas com bananas ofuscaram o propósito inicial. O que foi levantado de polêmica quanto ao racismo foi apagado quando as brincadeiras começaram, provavelmente, logo tudo é esquecido, e o racismo volta à tona.

O racismo é uma herança complexa e ideológica, absolutamente incorreta, mas que não se converte de forma tão simples. Vamos pensar... o que um racista acha do movimento? Muito provavelmente, raiva, as discussões geradas pela tag provavelmente vão tentar convencê-lo, os representantes políticos vão tomar parte, mas, além disso tudo, as brincadeiras que tomaram o movimento vão se tornar mais chacota, que conscientização.



Racismo, riqueza, modas, e principalmente, jogadores.


Essa história inteira começou quando Daniel Alvez pegou uma banana que havia sido jogada por um torcedor racista e comeu. Todos entraram em defesa do jogador, principalmente, pelo absurdo que a existência do racismo é dentro de povos como os da América do Sul.

Racismo e Daniel Alves
A hastag foi e é super bem vinda, o intuito é perfeitamente válido, e não estou a fim de atacar pessoas que estão lutando contra algo tão imbecil quanto o racismo. Pelo contrário, estas tem o apoio completo do nosso website. Mas, a derivação da tag e do seu foco simplesmente removeu aos olhos de muitos o perigo do racismo, e mais que isto ergue ideias que não condizem com a realidade.

A tag nunca combateu o racismo, ela serviu de apoio (90% responsável pela discussão) que vai levar ao combate do racismo. Mas, provavelmente só ocorreu devido a fama da vítima. Além de tudo, rir da cara de racistas não me parece uma estratégia válida para combater esta ideologia medíocre.

E o que dizer sobre isso? Daniel Alves disse:

“Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados.”


Será? E desde quando rir de racistas impediu que atitudes fossem tomadas? A Carta Capital em um dos seus artigos dedicados a crítica da hastag e as opiniões tomadas como verdade levanta um ponto nesta discussão bastante importante:

"Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo."


Dificilmente, o racismo irá acabar com este tipo de atitude, pelo contrário, assumir este tipo de símbolo e rir da cara de racistas deve levantar no fundo do pensamento deles na melhor das hipóteses algo relacionado a macacos, risos, festa, incompetência e sujeira. Isto, não converte um racista. Devemos, na realidade parar de rir, exatamente, porque não é uma brincadeira, e não temos o privilégio de sermos imunes ao racismo direto como os apoiadores da tag. Pelo contrário, nós, meros mortais, brancos ou negros, só por sermos brasileiros, já podemos sofrer racismo direto em vários países. E isto, não inclui xingamentos, bananas, e outras artimanhas, mas espancamentos, isolamento, e outros ataques perturbadores, mas existentes.

Basta lembrar dos africanos, pense bem, não nos governantes, mas nos mais do que pobres, racismo? Não, provavelmente não conseguiriam tirar uma foto com uma banana, ou melhor, agradeceriam em receber uma "bananada" na cara. Nem por isso, deixam de ser sere-humanos capazes de sentir tudo. Que tal dar bananas a eles?

"Eu adoro banana. Aqui em casa nunca falta. E acho os macacos bichos incríveis, inteligentes e fortes. Adoro o filme Planeta dos Macacos e sempre que assisto, especialmente o primeiro, imagino o quanto os seres humanos merecem castigo parecido. Viemos deles e a história da evolução da espécie é linda. Mas se é para associar a origens, por que não dizer que #SomosTodosNegros ? Porque não dizer #SomosTodosDaÁfrica ? Porque não lembrar que é da África que viemos, todos e de todas as cores? E que por isso o racismo, em todas as suas formas, é uma estupidez incompatível com a própria evolução humana? E, se somos, por que nos tratamos assim?
Mas não. E seguem vocês, “olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico”.
Portanto, nada de bananas, nada de macacos, por favor!"
Conclui Douglas Belchior em seu artigo para a Carta Capital.
Apesar de tudo, preciso discordar de alguns pontos do artigo citado, e não faço dele minha opinião completa. É importante que consideremos que levantar esta questão é importante, e o ato, é que não podemos deixar essa oportunidade passar, o tema foi levantado, vamos parar com os risos e de fato, mudar a visão da sociedade. Afinal, todos temos a mesma origem. E apesar das desavenças, o Um E sobre tudo também adere a causa.