Um mundo desesperado pelo bom.




O cinza dos dias mais obscuros da vida de qualquer ser, sempre termina por ser confundido com branco. O desespero de uma realidade inóspita com o tempo parece cegar ao ponto, onde nem o céu, e nem as estrelas tem uma cor amável.

Pelo contrário, a ilusão em esperar algo que possa remover toda a terra de um coração já morto para que se possa abrir a boca e dizer que algo é bom, termina por comprometer tudo, a abandonar-se nos braços que realizarem o primeiro gesto de abraço, e consequentemente, a cair no chão de forma ridícula.

Alimento, para alma, alimento, para o corpo. Não estamos muito diferentes do que consideramos pobres ou miseráveis quando negamos a nós mesmos o prazer social de ser bom, de ter bondade, de falar bem, de se perdoar mesmo que uma vez.

E assim como a cegueira, que torna escuridão luz, a ponto de se confiar de olhos fechados, enganamo-nos, jogando como terra, os prazeres materiais em nossos sentimentos, fazendo jus as obras mórbidas de Robert Kirkman, não como mocinhos, mas como criaturas assustadoras, capazes de matar sem piedade.

Condenamo-nos, então, a livrar-nos de tudo o que se reter a valorização material, como se isto pudesse mesmo que pouco, amenizar o problema. Mas não! Simplesmente, só o equilíbrio entre tudo, pode vir a ser capaz de mudar algo. Só isto. De resto, nos perdemos novamente, em termos sem fim, que tentam justificar o injustificável gosto pelos extremos espirituais. Ao invés, de tentarmos equilibrar, a nossa essência, as demais;

A única coisa, capaz de despertar mesmo que levemente a capacidade rara de enxergar depois de esquecido, o próprio passado, é não esquecer dos valores, sempre, carregar os motivos, como presentes, indiscutivelmente valiosos, usados da forma correta ou não. Para a cada passo adiante, podermos corrigir, a nós mesmos.

Nunca foi ou será fácil.