Mulher com roupa curta merece ser estuprada.-Será?

A IPEA (Instituto de pesquisa econômica aplicada) revelou em uma de suas recentes pesquisas que em média 65,1% dos brasileiros (incluindo homens e mulheres) acreditam que "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", a mesmo pesquisa também revelou que 58,5% dos brasileiros, concorda que "se as mulheres soubessem como se comportar haveriam menos estupros". O tema, excessivamente polêmico resultou em debates que foram além do Brasil, ganhando destaque também na França. Mas será mesmo que o brasileiro deve ter este tipo de mentalidade? Seria afinal, culpa da vítima?

*A IPEA divulgou uma atualização da pesquisa, nesta questão os gráficos encontram-se inversos, 65,1% dos brasileiros DISCORDAM.
MAs ainda vale a pena ver toda a polêmica que isto gerou.






O que a pesquisa da IPEA revela.

A pesquisa da IPEA não se restringiu ao tema de estupro, mas abordou também o machismo, a violência doméstica, e a relação entre casais homo afetivos. Em praticamente todos os pontos abordados, mentalidades consideradas arcaicas na sociedade atual, se apresentaram como enormes, mostrando uma longa discussão, e um longo problema a ser combatido: o preconceito.

Para exemplificar os dados obtidos, o gráfico abaixo foi divulgado, confira os resultados:



O que a atitudes sobre a pesquisa revelam.

A pesquisa foi recebida com certeza da melhor maneira possível, com pouco silêncio e muita atitude. O intuito de conscientizar os participantes de forma imediata gerou um impacto alto e tomou o foco de toda uma semana para o tema.

Os protestos de maior destaque iniciaram-se quando a militante e jornalista Nana Queiroz convocou uma manifestação no Facebook pedindo que as mulheres tirassem fotos com roupas curtas em protesto a mentalidade brasileira com o cartaz "Eu não mereço ser estuprada" que terminou se tornando hashtag no twitter. Pitty, cantora que já foi destaque em um dos nossos shows pessoais lançou também a #eusouminha e desenvolveu um tumblr para divulgar as fotos capturadas das redes sociais.

A pesquisa foi destaque no jornal Liberation, na revista Le Point, e na emissora de rádio francesa RTL. A presidenta Dilma também se declarou revelando estar posicionada contra este tipo de pensamento. Vale lembrar que o governo da presidenta realizou o reforço da legislação que protege as mulheres de violências sexuais. Atitude criticada pela Igreja Católica que temia uma legalização "geral" do aborto.


Falhas nos argumentos dos entrevistados.

Um pensamento guiado pelo preconceito poucas vezes tem algum argumento válido, neste caso, quando tratamos de estupros, basta que analisemos os índices de idade das vítimas, e este é um segundo resultado incrivelmente alarmante.

O estupro tem mais a ver com pedofilia do que com roupas curtas.





A pesquisa sobre o perfil das vítimas de estupro, produzida também pela IPEA, revelou que mais da metade das vítimas de estupros tem menos de 13 anos de idade, e destes estupros, 15% foram cometidos por 2 ou mais agressores. Pelo mesmo levantamento, vale lembrar que no ano passado aconteceram 527 mil estupros no Brasil.

Em outro país, a Índia, a cultura de estupros coletivos também merece destaque, lá, o estupro coletivo é uma forma de punição para as mulheres que traem os maridos. A quantidade de homens pode variar muito, mas casos onde até 13 homens estupram uma mulher à força são comuns. As deformações são iminentes em todo o corpo, incluindo por exemplo os rostos que geralmente nunca retornam a algo que lembre a beleza anterior.

O dia internacional, contra a exploração sexual foi comemorado no dia 03 deste mês.




Agradecimentos & mais informações:

Estadão - Pelas informações claras

Rfi- Pela quantidade de informações

Opera mundi-Pelos esclarecimentos quanto aos motivos de abusos na Índia.

Eu sou minha sim- Pelas imagens