Os beagles, a cura e o instituto: Crônicas da medicina

Beagles e o instituto: Imagem sem ligação direta com o tema
A polêmica gerada pelo instituto Royal com a captura dos beagles realmente, não foi deste mundo. Pessoas levaram cachorros para suas casas e o nome do instituto foi para o lixo. A primeira vista, (principalmente de um vegetariano como eu) as pessoas que levaram os beagles tem total e absoluta razão. O problema inteiro, fica por parte do local, momento, e mais, das condições.

A denúncia já tinha sido feita, testes são necessários (ao menos teoricamente), e testes em um instituto especializado nisto não deve e nem podem ser considerado maus tratos. Esta é uma definição mais ampla. O tema é complexo. Recomendo que continuem lendo.

Antes de continuar lendo gostaria que ressaltar quanto a organização do texto não muito comum. O que acontece é que com o excesso de informações e pontos de vista, deixei no início todos os pontos a favor dos testes, depois, a favor dos animais, por último a minha opinião própria, por favor. Se iniciar o texto, termine-o.


Realmente é necessário usar animais?


As "ciber batalhas"?

Depois de todas as opiniões que circularam na internet quase imediatamente após a invasão, pessoas se comoveram e partiram para realizar mais um dos famosos "cibercombates".

De um lado pessoas que se colocaram contra o uso destes animais, unidas e apoiadas a cientistas especializados no assunto e que partilhavam da mesma opinião.

Dentre os pontos chaves mais discutíveis, estavam as diferenças entre os organismos de animais e seres humanos. As diferenças poderiam comprometer os resultados de uma determinada pesquisa. Aparentemente (segundo algumas fontes disponíveis na internet), o uso de animais não é feito para total pesquisa, mas, para partes necessárias.

Ratos de laboratório: Quem não se lembra do Pink e do Cérebro?O ciclo de vida de animais como ratos, é mais curto, e assim como nos cães isto facilita a identificação de algum erro no medicamento.

Logo, como não poderiam faltar, páginas oportunistas começaram a divulgar imagens sem nexo, e sem nenhum comprometimento com o que se pode chamar de bom senso. Imagens desligadas do conteúdo e/ou apelativas foram produzidas e usadas para dar uma imagem incorreta ao acontecido.

Após uma longa pesquisam não encontrei nenhuma imagem antes ou durante a invasão além das divulgadas pelo fantástico da rede Globo. Depois de leves análises (já que tudo estava muito claro), foi fácil constatar alguns aspectos não citados. Isto discutimos depois.

Estas páginas chegaram a direcionar ofensas até a fabricação de remédios para hipertensão. Sem nenhuma prova ou argumento consistente, as pessoas começaram a atirar para todos os lados, obviamente acertando onde não deviam.

Ainda assim, porquê usar animais?


Os outros métodos são úteis, mas em alguns casos, torna-se indispensável o uso de seres vivos, e ao menos por enquanto, os outros métodos não são suficientes. Sem tacadas mágicas até agora, a ciência não descobriu métodos alternativos perfeitamente eficazes.

Em um artigo de Guilherme Rosa e Juliana Santos, uma importante opinião foi trazida à tona. Segundo a pesquisadora Silvana Gorniak, os animais não podem ser substituídos completamente.

No artigo é ressaltado também, que o uso de animais não é mais barato que o uso de outros métodos. Pelo contrário. Este gera mais custos.

Leia ele completo clicando aqui.

Os estudiosos e os ataques


Em uma entrevista realizada pelo Conexão repórter do SBT, uma das mais completas sobre o assunto. Podemos ter a chance de observar os pontos de vista cara a cara e obter mais respostas do que por qualquer outro meio.

Para assistir o vídeo, obter mais informações essenciais e entender o restante do post recomendamos o acesso ao UOL notícias.

Embora a característica mais fria (aparentemente) da defensora do instituto possa ser considerada incoerente, é possível refutar uma afirmação da apresentadora.

Na entrevista a questão citada como "Quer dizer que existir a cura imediata do câncer para ratos vai dizer que existe para humanos?" vai de encontro com a dita depois "A ciência só pensa em dinheiro". Os gastos com os animais são maiores, e mais, vários ratos morreram durante os testes... pessoas morreriam para cada rato, com a diferença que pessoas tem cérebro mais complexo e sentimentos mais complexos.

Fazer testes diretamente em humanos poderia vir a ser mais desastroso.

Como o dito na própria matéria do SBT, a lei permite a utilização de animais somente se não houverem mais opções.

Ativistas, fezes, e urina

Finalmente podemos chegar no ponto onde minha opinião começa a valer, nas imagens feitas pela rede Globo, é perceptível a presença de fezes. Como o dito nos vídeos anteriores supostamente resultado da presença dos ativistas no local.



Tentei verificar através das gravações se as fezes já estavam lá ou não, infelizmente devido aos muitos cortes da câmera, tornou-se impossível saber. Mesmo que isto aparentemente não tenha importância já que as imagens mostradas são focadas  poucas vezes em cachorros que tinham alguém perto ou estejam muito acoados (com exceção do que estava na jaula), não foi filmado em nenhum momento nenhum animal defecando ou urinando.

A defesa dos animais pelos ativistas embora polêmica neste caso, e embora NESTE CASO ESPECIFICAMENTE tenha sido atrapalhada e inconsequente visto que a denúncia havia sido feita e a investigação já estava acontecendo esta sendo impedida pelos próprios ativistas já que destruíram provas, é um ato belo.

Embora de início seja possível notar que alguns animais estavam assustados, logo depois o estresse aparentemente se torna leve.

Beagles resgatados. Orelha e línguas mordidasEm resposta aos protetores do instituto, podemos exibir alguns cães que tinham sinais de maus tratos. Segundo o instituto, isto seria resultado de brigas já que o canil era muito grande.

Mas algo vem a chamar atenção ainda na matéria realizada pelo SBT, um cão estaria com os dentes colados... colados?

Na mesma matéria, como já disse, uma das mais completas sobre o assunto, ainda é possível pegar um pequeno trecho onde a ciência é posta a prova. Como exemplo, é dado o fato de carnes embutidas causarem câncer de intestino.

Segundo diversas fontes, isto é verdade.

Em uma matéria da revista Super Interessante de junho de 2010, é dito que ainda não se sabia como isto acontecia, embora já houvessem estudos que dissessem que o consumo de um bife diário aumentasse em 24% as chances de câncer colorretal, para carnes embutidas, o aumento teria sido de 20%.

Em outra matéria da HypeSciense, carnes embutidas aumentam em 19% as chances de câncer de pâncreas. Como se estivessem sido produzidas em sequências estas matérias unidas levam a constatação que carne e câncer estão diretamente ligados, ainda não se sabe exatamente como.

Carne e câncer: Estudos realmente comprovam.
Até que ainda no mesmo ano três meses depois, foi publicado no UOL notícias, que câncer de intestino está ligado ao consumo de carne vermelha. Ou seja, existem estudos muito bem aprofundados e úteis. Mas a divulgação destes é encolhida. Não necessariamente culpa da CIÊNCIA, mas talvez de quem produz e tem o dever de enviar os fatos.

O instituto Royal

É óbvio que os animais sofreriam de alguma forma no instituto. Eles recebem injeções de doenças e injeções de curas. Temos uma lei que diz que os animais só devem ser usados em casos extremos, mas só com a denúncia dos ativistas o instituto foi verificado.

Se há polêmica ainda hoje, é porquê não houveram dados suficientes para comprovar que com certeza não haviam maus tratos.

Com toda a burocracia brasileira e a inutilidade de seu sistema, é bastante possível que a violação dos direitos dos animais definidos pela UNESCO tenham sido violadas. E o pior, não existiam provas suficientes. A verificação deve ser mais rígida e feita periodicamente a um ciclo mais curto em todos os "royais" por aí.

Enquanto o nome de um único instituto é posto a prova, diversos continuam seus testes, e outros com métodos mais horríveis ainda.

O medo de perder um humano mata vários animais.

Sem valores parciais, somente valores infinitamente iguais, como os usados por Luísa Mell, onde nenhuma vida vale mais que outra. Este ato é absolutamente terrível. Mas precisamos considerar que as pessoas salvas são a um prazo maior do que a dos testes. A aplicação em humano para a verificação de como um vírus funciona, poderia demorar 40 anos. Em um rato, poucos meses. Os avanços se limitariam.

Temos uma declaração universal para o direito dos animais. A maior questão é saber se ela estava sendo respeitada.

Disponibilizamos ela para download aqui:
Clique para baixar direitos universais dos animais pela UNESCO

O mundo sem testes em animais:

Existem diversas fases para um desenvolvimento científico. Entender como um vírus ou bactéria age. Entender como funciona seu ciclo de reprodução. Saber como impedir o ciclo. Desenvolver interruptores do ciclo. Aperfeiçoa-los. Testá-los. Aperfeiçoa-los novamente. Testá-los novamente. E finalmente testar em animais ou humanos. Dependendo do caso.

Isto fora a separação de substâncias ativas, extração de tais, identificação de meios para tais e etc.

Antes, a morte de animais era feita indiscriminadamente. Com a evolução da ciência, isto foi sendo reduzido e hoje quase não se usa (em comparação). Diversos cientistas trabalham SIM procurando uma maneira de não usar mais animais em testes.

Cosméticos e seus testes:


Sim, algumas empresas já testaram ou testam seus cosméticos em animais. Mesmo que aparentemente diga-se que não, isto existe. Como exemplo, vou usar uma das maiores empresas de produtos de limpeza geral e etc. A Unilever.

Respeitada e enorme, esta empresa manteve uma abordagem aberta com o assunto, e em uma de suas páginas a própria se compromete a reduzir o uso de animais em testes ao máximo possível e ao menos para mim, de maneira confiável.

Para não alongar demais vou deixar o link e espero que se comprometam a verificar como os produtos que consome são fabricados.

Não defendo o teste em animais como algo fixo, por sinal, NÃO DEFENDO O USO DE ANIMAIS EM EXPERIMENTOS. Mas se não há alternativa e isto vai salvar mais que uma vida humana. Tenho obrigação de ser a favor. Mas também sou a favor de regras absolutamente e completamente rígidas, sem brechas para burlar e sem burocracia para atrapalhar.

Responderei qualquer dúvida. A qualquer momento. Aguardo sua opinião. 



Para mais informações, recomendo a leitura DE TODOS OS LINKS DA PÁGINA, a visualização dos vídeos e leitura de links é complementar ao texto, assim, sem a leitura destes pode parecer desconexo.
Recomendo também a leitura de um belo artigo sobre o assunto disponível no site "Administradores"