O governo e o cidadão: As crônicas da vida de um ponto.


Joaninha em flores amarelas
Joana e Paulo sempre tiveram uma certa criatividade excessiva, sua visão quando se tratava de mundo era a mais infantil que alguém poderia ter, também pudera, eram crianças. Crianças em relação aos seus pais, afinal, coisa de criança, era coisa de criança, e nem mais e nem menos importante.

 A inocência e capacidade mental de uma criança comparada a de um adulto, é um pouco maior que a de do adulto em relação a do universo ou mesmo a de Deus. Mas mesmo com toda essa inteligência e criatividade, não importava, eles precisavam ter algo para fazer.


 Joana, sempre mais determinada quando se tratava de aventuras e invenções, logo resolveu conseguir qualquer coisa para fazer. Andando os dois determinadamente pela rua, acaba que por um acaso inerte do destino Joana avista um conjunto de papéis, todos estes estavam repletos de pontos, pequenos pontos, e cada um estava devidamente posto.  Impresso com uma tinta negra, estes pontos eram maiores ou menores. Distribuídos aleatoriamente daquela maneira, pareciam "pessoinhas".

  A garota, já imaginando um pouco mais do que o visto, logo pensou o que aquelas pessoinhas fariam coladas ali o tempo todo todo dia. Presas a serem pontos, sem nenhuma novidade, ou mesmo acontecimento importante. Fadados a seguir a água, borrados toda vez que se molhavam.
  
  Paulo, sem pensar, pôs a ponta do dedo na boca e esfregou percorrendo os três primeiros pontos em linha reta, joana estapeou a mão, logo falando em tom de discurso:

- Paulo!! Pelo amor de Deus!-Joana encheu os olhos de lágrimas.
- Joana, são só pontinhos!
Pontos disformes
- Não são, são pessoinhas, preste atenção, elas se movem às vezes, mas nunca vão se mover enquanto você ficar olhando.- Joana logo percebeu qual seria a brincadeira do dia- Olha o ônibus!

Assim que Paulo desviou o olhar, a garota trocou o papel de cima pelo que estava embaixo.

- Viu? Eles se movem!
- Joana, e os que eu borrei?
- É lindo, né?! Não importa como a gente borre eles sempre voltam para o devido lugar...
- Quem você acha que engana?

Joana se ergueu, e sacudindo a terra do vestido repleto de joaninhas novamente pôs-se em posição de discurso.

- Mas, como? Vamos lá, eles precisam de mais coisas. Viu a chuva pela manhã? Devem estar com fome e com frio, vamos lá, traga comida e algumas folhas de papel para aquecê-los!

Paulo saiu e logo voltou com três folhas de papel e duas maçãs, tempo suficiente para Joana se livrar da folha com os pontos borrados, aquela folha de pontos pessoinhas, desceu boeiro abaixo, eram só pontos, e estes já sabiam demais.


Do que os pontos precisam, Joana?

Logo, aqueles pontos tornaram-se a melhor brincadeira real de todos os tempos, principalmente pra Joana, que sempre comia o que o pobre Paulo trazia e colocava a culpa nos pontos.

- Joana, não posso trazer sempre que estes esfomeados querem comer, a primeira coisa que vejo. Você que tem tanta intimidade com eles...- Paulo demonstrou pela primeira vez na vida o sarcasmo- que tal ensiná-los a fazer comida? Minha mãe diz que o ovo vem da galinha.- ele ainda esperava que o ovo que plantou escondido no quintal fosse germinar...

Joana sem ter saída, começou a traçar entre os pontos uma galinha mal desenhada.


- Pronto, agora eles tem uma galinha ara dar comida, os pontinhos que estão borrados, são os que trabalham lá, ok?

- Bem, a gente precisa dar aos outros o que fazer também, só estes vão trabalhar?

- Joana tirou uma pequena caneta infantil do bolso e traçou em cima de alguns pontos, estes vão fazer roupas.- falou terminando um quadrado e já iniciando outro- ...e estes vão fazer comida pras galinhas.

- Pronto! Mas como você vai falar com todo mundo? Aqueles quatro que restaram, mande eles cuidarem dos outros, que tal?

- Este- disse ela apontando para o menor ponto dos quatro - vai cuidar dos que cuidam da galinha, este - apontou para o pontinho que estava ao meio, era um pouco deformado- vai cuidar dos que fazer roupas, e este- apontou para o ponto central e maior- vai cuidar dos que fazem comida para as galinhas.

-  Então o último- disse Paulo pegando a caneta- vai cuidar dos que cuidam dos outros correto?

- Perfeito não?

Paulo olhou meio torto para aquilo...

- Espera! Os que fazem comida pras galinhas plantam aoutras coisas também né?!

- Uhum... coisa que faz pano, para os da roupa poderem fazer roupa também.

Joana ia saindo, quando novamente Paulo gritou:

- Espera Joana! E se os quatro pontos roubarem o que os outros mandam para ele ao invés de distribuir?

              



Tapem as pontas da imagem para ir devagar e ponham a mão no meio para acelerar!

Aguardem continuação...

Este texto NÃO é ligado as crianças, o intuito é referir-se ao jogo de xadrez que rege o mundo. Crianças são criaturas puras e sua presença no texto, trata simplesmente da comparação da imbecilidade humana em relação a verdade, ou seja, da criança, exemplo melhor encaixado na mente das pessoas.